Diretrizes Brasileiras para o Tratamento da Miopia (SBOP/SOBLEC)

Autores: Fábio Ejzenbaum, Tania Mara Cunha Schaefer, Celso Cunha, Julia Dutra Rossetto, Izabela F. Godinho, Célia Regina Nakanami, Regina K. Noma, Luisa Moreira Hopker.

Diretrizes

A literatura sugere que o tempo passado ao ar livre pode proteger contra o surgimento da miopia. Ele pode também diminuir a progressão da miopia nos míopes, mas certamente não de forma clinicamente significante. Portanto, passar tempo ao ar livre deve ser encorajado como um tratamento complementar e não como uma intervenção independente para o controle da miopia. Wu et al58 reportam que pelo menos 11 horas de exposição ao ar livre por semana foi eficaz para evitar o aparecimento da miopia em não míopes e na redução da progressão da miopia nos míopes, observando a refração estática e o comprimento axial. Em não-míopes, houve uma diferença de 0,11D e 0,03 milímetros (mm) no crescimento do comprimento axial entre os grupos intervenção e controle, e uma diferença de 0,23D e 0,15mm entre os dois grupos miópicos. Xiong et al59 reportam um efeito protetor estatisticamente significante do tempo ao ar livre sobre a miopia incidental e prevalente. Neste trabalho houve uma resposta dose dependente, com um aumento na exposição ao ar livre reduzindo o risco do surgimento da miopia, mas não da progressão miópica em míopes pré- existentes. Estudos como STORM60 podem esclarecer o papel do tempo ao ar livre sobre as crianças míopes. Outras estratégias de tratamento tais como a administração tópica da atropina e o uso de dispositivos óticos pode auxiliar a reduzir a progressão da miopia.

A miopia tem apresentado um aumento significativo de prevalência globalmente, com estimativas apontando para cerca de 50% da população mundial sendo afetada até 2050. Além de afetar a qualidade de vida, a miopia também está associada a riscos de complicações oculares sérias em estágios mais avançados.

As Diretrizes para o Tratamento da Miopia, desenvolvidas por um grupo de especialistas da SBOP-SOBLEC, têm como objetivo fornecer uma abordagem baseada nas melhores evidências científicas e experiência clínica para o tratamento desta condição oftalmológica.

A diretriz inclui:

  • Uma classificação detalhada da miopia
  • Estratégias para avaliação oftalmológica
  • Critérios diagnósticos da progressão da miopia
  • Opções de tratamento:
    • Medidas preventivas e ambientais
    • Atropina em baixas concentrações
    • Óculos e lente de contato com defocus periférico
    • Ortoceratologia.
    • Fluxograma de tomada de decisões clínicas
    • Protocolo de acompanhamento de acordo com a idade do paciente, a presença de fatores de risco para progressão rápida da miopia e a resposta individual aos diferentes métodos de tratamento.

Esta diretriz vai te auxiliar a manejar a miopia no dia a dia de consultório, reconhecendo a necessidade de tratamentos personalizados e monitoramento contínuo para prevenir complicações futuras e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados.

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