{"id":513,"date":"2023-06-29T16:07:42","date_gmt":"2023-06-29T19:07:42","guid":{"rendered":"https:\/\/sbop.com.br\/paciente\/?post_type=consensos&#038;p=147"},"modified":"2025-02-21T15:57:57","modified_gmt":"2025-02-21T18:57:57","slug":"diretrizes-acerca-da-periodicidade-da-avaliacao-oftalmologica-antes-dos-5-anos-de-idade-e-dos-exames-recomendados","status":"publish","type":"consensos","link":"https:\/\/sbop.com.br\/medico\/consensos\/diretrizes-acerca-da-periodicidade-da-avaliacao-oftalmologica-antes-dos-5-anos-de-idade-e-dos-exames-recomendados\/","title":{"rendered":"Diretrizes acerca da periodicidade da avalia\u00e7\u00e3o oftalmol\u00f3gica antes dos 5 anos de idade e dos exames recomendados"},"content":{"rendered":"\n<p><a class=\"btn btn-primary text-white text-decoration-none\" href=\"https:\/\/sbop.com.br\/paciente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Diretriz-Exame.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baixar a diretriz em PDF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autores:<\/strong>&nbsp;J\u00falia D Rossetto JD, Luisa M Hopker, Luis Eduardo M R Carvalho, Marcelo G Vadas, Andrea A Zin, Tom\u00e1s S Mendon\u00e7a, Dirceu Sol\u00e9, Luciana R Silva, Christiane Rolim-de-Moura, Luis Carlos F Sa, Fabio Ejzenbaum<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Qual o objetivo?<\/h3>\n\n\n\n<p>Orientar a frequ\u00eancia e os componentes do exame oftalmol\u00f3gico em crian\u00e7as saud\u00e1veis de 0 a 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">O que \u00e9 uma diretriz?<\/h3>\n\n\n\n<p>As diretrizes s\u00e3o ferramentas importantes para direcionar os m\u00e9dicos sobre as melhores pr\u00e1ticas para fornecer um atendimento de sa\u00fade eficiente. Elas s\u00e3o ferramentas flex\u00edveis, baseadas nas melhores evid\u00eancias cient\u00edficas e informa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas dispon\u00edveis. Elas tamb\u00e9m refletem o consenso de especialistas na \u00e1rea e permitem que usem seu julgamento no tratamento de seus pacientes.1 As diretrizes n\u00e3o se destinam a fornecer um passo a passo para os cuidados m\u00e9dicos ou substituir o julgamento cl\u00ednico; pelo contr\u00e1rio, sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiar os padr\u00f5es de pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta diretriz redigida pela SBOP, em parceria com a SBP, deve ser considerada neste contexto, como a recomenda\u00e7\u00e3o do n\u00famero m\u00ednimo de exames necess\u00e1rios para atingir a maior porcentagem da popula\u00e7\u00e3o de maneira eficiente. A ades\u00e3o \u00e0s suas recomenda\u00e7\u00f5es n\u00e3o produzir\u00e1 necessariamente resultados bem-sucedidos em todos os casos e n\u00e3o substitui o julgamento individual de cada profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta diretriz tamb\u00e9m n\u00e3o se destina a definir ou servir como um padr\u00e3o legal para cuidados m\u00e9dicos. Portanto, n\u00e3o deve ser utilizada como um recurso legal, pois sua natureza geral n\u00e3o pode fornecer orienta\u00e7\u00e3o individualizada para todos os pacientes em todas as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso p\u00fablico-alvo s\u00e3o oftalmologistas e pediatras que avaliam beb\u00eas e crian\u00e7as brasileiras. Os intervalos de exames recomendados tamb\u00e9m podem ser do interesse do p\u00fablico em geral e dos formuladores de pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica. Dada a diversidade da estrutura financeira e de sa\u00fade nas diferentes regi\u00f5es brasileiras, essa diretriz pode servir de base para a defesa da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 vis\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica em \u00e1reas carentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Como esta Diretriz foi feita?<\/h3>\n\n\n\n<p>Esta diretriz foi desenvolvida com base em revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica e experi\u00eancia cl\u00ednica de um comit\u00ea de especialistas. Foram realizadas buscas em base de dados PubMed\/Medline; documentos selecionados n\u00e3o se restringiram a revis\u00f5es sistem\u00e1ticas, ensaios cl\u00ednicos randomizados e estudos observacionais. Quando adequado, o perfil GRADE foi aplicado para gradu\u00e1-los e o consenso de especialistas foi usado nos t\u00f3picos sem evid\u00eancia cient\u00edfica. Tamb\u00e9m foram revisadas as recomenda\u00e7\u00f5es da Academia Americana de Pediatria, da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Oftalmologia Pedi\u00e1trica e Estrabismo, da Academia Americana de Oftalmologia, do Royal College of Ophthalmologist e da Sociedade Canadense de Oftalmologia. Al\u00e9m disso, foi elaborado um question\u00e1rio pelos membros da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pedi\u00e1trica (SBOP) para avaliar a rotina de exames oftalmol\u00f3gico praticada atualmente no Brasil. O documento final foi aprovado pela SBOP e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e aceito para publica\u00e7\u00e3o nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia (in press).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Quem foram consideradas crian\u00e7as saud\u00e1veis?<\/h3>\n\n\n\n<p>Foram consideradas saud\u00e1veis, as crian\u00e7as com desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade, especialmente na aus\u00eancia de:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Anormalidades oculares aparentes (por exemplo, leucocoria, ptose, nistagmo ou estrabismo);<br>2. Prematuridade extrema (beb\u00eas com menos de 1.500 g ou 32 semanas de idade gestacional);<br>3. Exposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as infecciosas transmiss\u00edveis verticalmente (como toxoplasmose, s\u00edfilis, citomegalov\u00edrus ou v\u00edrus Zika);<br>4. Doen\u00e7as associadas a manifesta\u00e7\u00f5es oculares (por exemplo, dist\u00farbios metab\u00f3licos, artrite idiop\u00e1tica juvenil ou s\u00edndrome de Down);<br>5. Hist\u00f3ria familiar de doen\u00e7as oculares na inf\u00e2ncia (como catarata, glaucoma ou retinoblastoma);<br>6. Suspeita cl\u00ednica de d\u00e9ficit visual.<br>OBS: Na presen\u00e7a de qualquer um dos itens acima, recomenda-se exame oftalmol\u00f3gico completo, de prefer\u00eancia em at\u00e9 um m\u00eas da identifica\u00e7\u00e3o do risco, independentemente do resultado do Teste do Reflexo Vermelho (TRV).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Qual a recomenda\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pedi\u00e1trica (SBOP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)?<\/h3>\n\n\n\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es a serem realizadas pelo m\u00e9dico da fam\u00edlia ou pediatra:<br>Rec\u00e9m-nascidos: O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) deve ser realizado pelo pediatra na primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade.<br>NOTA: o TRV deve ser repetido pelo pediatra durante as consultas de puericultura pelo menos tr\u00eas vezes ao ano durante os primeiros 3 anos de vida. A falha de visualiza\u00e7\u00e3o ou anormalidades no TRV s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es para encaminhamento urgente ao oftalmologista.<\/p>\n\n\n\n<p>0 a 36 meses: Deve ser realizada a inspe\u00e7\u00e3o dos olhos e anexos (p\u00e1lpebras, c\u00f3rnea, conjuntiva, \u00edris e pupila), avalia\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o visual apropriada para a idade, fixa\u00e7\u00e3o ocular e alinhamento dos olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>0 a 12 meses: Devem ser avaliados os marcos de desenvolvimento visual para beb\u00eas saud\u00e1veis:<br>Um m\u00eas: presen\u00e7a de fixa\u00e7\u00e3o visual;<br>Dois meses de idade: presen\u00e7a de movimentos oculares verticais;<br>Tr\u00eas meses: presen\u00e7a da fixa\u00e7\u00e3o e seguimento de objetos e de movimentos sac\u00e1dicos adequados;<br>(NOTA: os movimentos dos olhos podem n\u00e3o ser coordenados at\u00e9 os 6 meses de idade);<br>Seis meses: presen\u00e7a de tentativa de alcan\u00e7ar os objetos apresentados e do alinhamento ocular apropriado;<br>Nove meses: presen\u00e7a do reconhecimento de rostos e express\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>ATEN\u00c7\u00c3O: Devem ser encaminhados para exame oftalmol\u00f3gico completo, os beb\u00eas que n\u00e3o fazem contato visual nos primeiros dois meses de vida ou n\u00e3o apresentam sorriso social ou percep\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias m\u00e3os aos 3 meses; ou que n\u00e3o pegam brinquedos aos 6 meses, ou n\u00e3o reconhecem rostos e express\u00f5es aos 11 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>12 a 36 meses: Deve ser avaliada, em cada olho separadamente, a:<br>Fixa\u00e7\u00e3o: se central, est\u00e1vel e mantida;<br>Capacidade de seguir luz e objetos;<br>Rea\u00e7\u00e3o \u00e0 oclus\u00e3o de cada olho.<\/p>\n\n\n\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es a serem realizadas pelo oftalmologista:<br>6 a 12 meses: Pode ser realizado exame oftalmol\u00f3gico completo por um oftalmologista \u2013 inspe\u00e7\u00e3o dos olhos e anexos, avalia\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o visual (exame de fixa\u00e7\u00e3o e seguimento monocular), avalia\u00e7\u00e3o da motilidade e alinhamento ocular (testes de cobertura simples e alternada), refra\u00e7\u00e3o cicloplegiada e avalia\u00e7\u00e3o do fundo de olho dilatado (Recomenda\u00e7\u00e3o 2C).4,5<\/p>\n\n\n\n<p>3 a 5 anos (idealmente aos 3 anos):6-9 Deve ser realizado exame oftalmol\u00f3gico completo por um oftalmologista \u2013 inspe\u00e7\u00e3o dos olhos e anexos, avalia\u00e7\u00e3o da acuidade visual (com opt\u00f3tipos adequados \u00e0 idade), avalia\u00e7\u00e3o da motilidade e alinhamento ocular (testes de cobertura simples e alternada), refra\u00e7\u00e3o cicloplegiada e avalia\u00e7\u00e3o do fundo de olho dilatado (Recomenda\u00e7\u00e3o 1B).4,10<\/p>\n\n\n\n<p>Se o exame for inconclusivo ou insatisfat\u00f3rio, uma nova avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 recomendada em 6 meses.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Como foi a an\u00e1lise das respostas do question\u00e1rio realizado entre os membros da SBOP?<\/h3>\n\n\n\n<p>O question\u00e1rio foi respondido por 193 integrantes da SBOP. Destes, 73,6% recomendaram exame oftalmol\u00f3gico completo em crian\u00e7as saud\u00e1veis durante o primeiro ano de vida. Evidenciou-se leve redu\u00e7\u00e3o no percentual de recomenda\u00e7\u00f5es relacionadas ao aumento do tempo de pr\u00e1tica cl\u00ednica do oftalmologista. Em rela\u00e7\u00e3o ao percentual de atendimento pedi\u00e1trico na sua pr\u00e1tica regular, 82% dos profissionais com percentuais superiores a 75% recomendaram o exame, versus 64,7% dos pediatras que atendem menor propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as (&lt;25%); por\u00e9m esta diferen\u00e7a n\u00e3o foi estatisticamente significante.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi observada associa\u00e7\u00e3o entre os dom\u00ednios \u201cForma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica\u201d, \u201cDura\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica cl\u00ednica\u201d, \u201cPublica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d e a recomenda\u00e7\u00e3o de exame no primeiro ano de vida. N\u00e3o foi observada associa\u00e7\u00e3o entre o escore total composto por esses dom\u00ednios e a recomenda\u00e7\u00e3o do exame.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Quais as principais doen\u00e7as evitadas pelos exames recomendados?<\/h3>\n\n\n\n<p>As principais doen\u00e7as diagnosticadas pelos exames s\u00e3o os erros refrativos n\u00e3o corrigidos. Estes podem ser respons\u00e1veis por at\u00e9 69% dos problemas visuais que ocorrem na inf\u00e2ncia.11 Dependendo do grau do erro refrativo e da idade da crian\u00e7a, esses problemas podem ser potencialmente ambliog\u00eanicos se n\u00e3o forem corrigidos; ou seja, eles podem levar \u00e0 defici\u00eancia visual.12 Em crian\u00e7as em idade escolar, os erros de refra\u00e7\u00e3o n\u00e3o corrigidos s\u00e3o considerados um problema de sa\u00fade p\u00fablica e s\u00e3o a principal causa de defici\u00eancia visual em crian\u00e7as em todo o mundo. Na Am\u00e9rica Latina, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, cerca de 23 milh\u00f5es de crian\u00e7as t\u00eam problemas de vis\u00e3o relacionados a erros de refra\u00e7\u00e3o n\u00e3o corrigidos que podem afetar seu desenvolvimento, escolaridade e desempenho social.13<\/p>\n\n\n\n<p>A ambliopia \u00e9 a segunda doen\u00e7a ocular mais trat\u00e1vel (depois dos erros refrativos)6-9,14 e afeta cerca de 2% a 4% da popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica.12,15 Geralmente \u00e9 trat\u00e1vel se diagnosticada precocemente; no entanto, devido \u00e0 dificuldade em detectar a doen\u00e7a, centenas de milhares de crian\u00e7as norte-americanas e milh\u00f5es em todo o mundo sofrem perda de vis\u00e3o desnecess\u00e1ria e permanente a cada ano.12,16 Em geral, os benef\u00edcios do rastreamento e tratamento da ambliopia superam seus custos e qualquer dano poss\u00edvel associado.17-19 A ambliopia n\u00e3o tratada pode impactar negativamente na fun\u00e7\u00e3o visual, na qualidade de vida e na capacidade de trabalho do indiv\u00edduo.20 Por esse motivo, o tratamento da ambliopia tem se mostrado um dos procedimentos m\u00e9dicos mais econ\u00f4micos do mundo.21,22 A presen\u00e7a de estrabismo pode levar \u00e0 supress\u00e3o do olho n\u00e3o dominante e, em \u00faltima an\u00e1lise, ser a causa de ambliopia em at\u00e9 50% dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Considera\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es brasileiras e legisla\u00e7\u00e3o sobre o TRV:<\/h3>\n\n\n\n<p>No Brasil, alguns estados j\u00e1 aprovaram legisla\u00e7\u00e3o que torna obrigat\u00f3ria a realiza\u00e7\u00e3o do TRV pelo pediatra em todos os rec\u00e9m-nascidos antes da alta da maternidade. A Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar tamb\u00e9m incluiu o TRV na lista de procedimentos com cobertura obrigat\u00f3ria pelo seguro sa\u00fade.13 Se o resultado do TRV for anormal, a crian\u00e7a deve ser encaminhada imediatamente a um oftalmologista, pois a catarata cong\u00eanita \u00e9 uma causa poss\u00edvel e pode exigir cirurgia antes das 12 semanas de vida.12,16,20<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, faltam dados confi\u00e1veis sobre a preval\u00eancia e as causas da cegueira em crian\u00e7as no Brasil13 e nenhum programa social abrangente est\u00e1 dispon\u00edvel para triagem visual peri\u00f3dica. Al\u00e9m disso, os testes de fixa\u00e7\u00e3o e alinhamento dos olhos geralmente n\u00e3o s\u00e3o realizados por pediatras ou m\u00e9dicos de fam\u00edlia. Portanto, a avalia\u00e7\u00e3o da acuidade visual e dos exames oftalmol\u00f3gicos para o diagn\u00f3stico precoce de doen\u00e7as \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, responsabilidade de oftalmologistas com experi\u00eancia no tratamento de crian\u00e7as. Esse \u00e9 um dos principais motivos pelos quais a maioria dos oftalmologistas pedi\u00e1tricos brasileiros recomenda os exames precoces. Seguir as recomenda\u00e7\u00f5es de exames oftalmol\u00f3gicos praticados em pa\u00edses como os Estados Unidos da Am\u00e9rica, nos quais a triagem visual regular \u00e9 praticada ao longo da inf\u00e2ncia, tamb\u00e9m \u00e9 invi\u00e1vel no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente da recomenda\u00e7\u00e3o do exame precoce por especialistas, o contexto do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 hoje no Brasil, enorme car\u00eancia de profissionais e dificuldade em realizar at\u00e9 mesmo um \u00fanico exame antes dos 5 anos de idade. Somente na cidade do Rio de Janeiro, 4.505 crian\u00e7as aguardam consulta oftalmol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-color\" style=\"color:#02369f\">Conclus\u00f5es:<\/h3>\n\n\n\n<p>As diretrizes sobre a frequ\u00eancia da avalia\u00e7\u00e3o oftalmol\u00f3gica s\u00e3o ferramentas importantes para orientar os m\u00e9dicos sobre a melhor pr\u00e1tica a fim de evitar problemas visuais trat\u00e1veis na inf\u00e2ncia, que poderiam comprometer seu desenvolvimento social, escolar e global, al\u00e9m de causar perda permanente da vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando todas as informa\u00e7\u00f5es discutidas neste documento, a SBOP e a SBP prop\u00f5em que, al\u00e9m do acompanhamento ocular pelo pediatra ou prestador de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade, pelo menos um exame oftalmol\u00f3gico completo seja realizado entre 3 e 5 anos de idade em todas as crian\u00e7as saud\u00e1veis. Se poss\u00edvel, isso pode ser precedido por um exame dos 6 aos 12 meses de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>* A falha na visualiza\u00e7\u00e3o da TRV ou a presen\u00e7a de qualquer anormalidade ocular s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es para o encaminhamento ao oftalmologista.<\/p>\n\n\n\n<p>Rossetto JD, Hopker LM, Carvalho LEMR, et al. Brazilian guidelines on the frequency of ophthalmic assessment and recommended exams in healthy children under 5 years of age. Arq Bras Oftalmol. 2020 in press.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h4>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Jacobson PD. Transforming clinical practice guidelines into legislative mandates: proceed with abundant caution. JAMA. 2008;299(2):208-210.<\/li>\n\n\n\n<li>Joint Clinical Practice Guideline Expert Committee of the Canadian Association of O, the Canadian Ophthalmological S, Delpero WT, et al. Evidence-based clinical practice guidelines for the periodic eye examination in children aged 0-5 years in Canada. Can J Ophthalmol. 2019;54(6):751-759.<\/li>\n\n\n\n<li>Association. CMP. Clinical Practice Guidelines: what is their role in legal proceedings? Vol September: CMPA Perspect.; 2011.<\/li>\n\n\n\n<li>Association AO. Comprehensive pediatric eye and vision examination: evidence-based clinical practice guideline. 2017:1-67.<\/li>\n\n\n\n<li>Robinson BE MK, Glenny C, Stolee P. An Evidence-Based Guideline for the Frequency of Optometric Eye<br>Examinations. Primary Health Care. 2012;2(4):121.<\/li>\n\n\n\n<li>de Koning HJ, Groenewoud JH, Lantau VK, et al. Effectiveness of screening for amblyopia and other eye disorders in a prospective birth cohort study. J Med Screen. 2013;20(2):66-72.<\/li>\n\n\n\n<li>Eibschitz-Tsimhoni M, Friedman T, Naor J, Eibschitz N, Friedman Z. Early screening for amblyogenic risk factors lowers the prevalence and severity of amblyopia. 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