SÍNDROME DE BROWN

O QUE É A SÍNDROME DE BROWN?
É um problema no músculo / tendão do oblíquo superior e na tróclea. É um alteração mecânica em que o músculo / tendão oblíquo superior é incapaz de passar livremente pela tróclea e fica restrito. É perceptível quando o olho afetado está olhando para o nariz e para cima. A Síndrome de Brown é mais comumente congênita ou presente ao nascimento, mas pode ter início mais tardio. É mais comum em apenas um olho e curiosamente mais comum no olho direito do que no esquerdo, por razões desconhecidas.

Figura 1: Desenho ilustrativo; visão superior do olho direito, com destaque ao tendão/músculo oblíquo superior.

QUAIS OS SINTOMAS DA SINDROME DE BROWN?
O globo ocular parece normal, mas seu movimento é restrito ao olhar para o nariz e para cima e o desalinhamento ocular é mais perceptível nesta posição. O olho afetado parece olhar para baixo, enquanto o olho não afetado olha para cima (Figura 2). Embora isso normalmente não seja desconfortável, pode causar visão dupla. Por esse motivo, pacientes com síndrome de Brown ocasionalmente elevam o queixo ou viram a cabeça para evitar olhar na direção que causa desalinhamento dos olhos.

Figura 2: Criança com Síndrome de Brown olhando para esquerda e para cima; nota-se a incapacidade do olho direito de elevar-se nesta posição.

QUAL A CAUSA DA SÍNDROME DE BROWN?
A síndrome de Brown tem origem desconhecida na maioria dos casos.
Geralmente é congênita, o que significa que uma criança nasce com ela. A síndrome de Brown adquirida é incomum, mas pode ser observada após cirurgia, após trauma, infecção dos seios da face ou associada a doenças inflamatórias. O trauma pode causar uma síndrome de Brown se um objeto pontiagudo atingir a cavidade ocular no canto interno superior, próximo ao nariz. A cirurgia da pálpebra, do seio frontal, do globo ocular (descolamento de retina) e dos dentes (extração dentária) também tem sido associada à síndrome de Brown adquirida. A inflamação do complexo tendão-tróclea na artrite reumatóide adulta e juvenil, lúpus eritematoso sistêmico ou sinusite pode estar associada ao desenvolvimento do problema. A causa real da restrição do oblíquo superior na tróclea é provavelmente diferente em todas essas situações.

COMO SE DIAGNOSTICA A SÍNDROME DE BROWN?
A maneira mais comum de se suspeitar da síndrome de Brown é a percepção do desalinhamento ocular quando a criança olha para os pais, conforme a Figura 2. O olho afetado não consegue olhar para cima e para dentro. O diagnóstico é realizado pelo oftalmologista após consulta completa.

QUAL O TRATAMENTO PARA A SÍNDROME DE BROWN?
A síndrome de Brown pode ter resolução espontânea ou necessitar de tratamento. O tratamento varia de acordo com a causa e o nível de gravidade. Uma observação cuidadosa é geralmente suficiente em casos leves. A acuidade visual e a capacidade de usar os dois olhos ao mesmo tempo (visão binocular) devem ser monitoradas de perto em crianças pequenas. O tratamento não cirúrgico é frequentemente recomendado para casos recentemente adquiridos, traumáticos e intermitentes. Corticosteroides sistêmicos ou injetados localmente têm sido utilizados para tratar casos inflamatórios da síndrome de Brown adquirida. O tratamento cirúrgico é geralmente recomendado se houver um dos seguintes itens: desalinhamento dos olhos ao olhar para a frente, visão dupla significativa, visão binocular comprometida ou posição anormal da cabeça.

Fonte: https://aapos.org/glossary/brown-syndrome